Título Original: Tron
Diretor: Steven Lisberger
Ano de Lançamento: 1982
Estúdio Responsável: Walt Disney Pictures
Elenco:
Jeff Bridges – Kevin Flynn/Clu
Bruce Boxleitner – Alan Bradley/Tron
David Warner – Ed Dillinger/Sark/Voz de Master Control
Cindy Morgan – Lora Baines/Yori
Sinopse: Kevin Flynn (Jeff Bridges) é um jovem engenheiro de softwares que trabalhou na ENCOM. Sua maior diversão, e também seu trabalho, é elaborar novos jogos de videogame. Kevin sonha em fundar sua própria companhia, mas seus projetos são roubados por Ed Dillinger (David Warner), que os apresenta como se fossem seus. Como resultado, Dillinger é promovido enquanto Kevin precisa abrir um arcade com os poucos jogos que lhe restaram. Decidido a provar que foi roubado, Kevin resolve entrar no sistema da ENCOM através de um programa chamado CLU, por ele criado – e acaba sendo levado ao universo de seus jogos com isso.
Olhe para o seu computador. Se você está aqui e é um sujeito de sorte, talvez tenha um PC gamer, desses com processador quadcore, placa de vídeo com nome mais longo que Dom Pedro II e um pente de memória dotado de googol gigas – e mesmo que não tenha um micro assim, certamente conhece algum sortudo que o tenha.
Agora não nos foquemos neste computador, e sim nos jogos que ele roda. Se imagine tentando jogá-los em um bom e velho 386. Se o seu cérebro está dando nós apenas com a imagem mental de centenas de mensagens de erro e telas azuis da morte, pense que, em 1992, um 386 era um computador potente.
Dez anos antes então, pensa só? Pois data de dez anos antes o primeiro filme a se utilizar da tecnologia dos computadores em larga escala na sua produção.
A primeira palavra que vem à cabeça é “precário”, e devo dizer, nos dias de hoje Tron não foge muito disso. Mas sendo um cult, guarda seus méritos, especialmente no que tange aos elementos visionários de seu roteiro, o visual que para a época foi deslumbrante e no aspecto documentarista não-intencional da juventude gamer do começo dos anos 80.
Qualquer adolescente da época sonhava em ser dono do seu próprio arcade – nosso popular fliperama -, e é exatamente assim que o protagonista, Kevin Flynn, nos é apresentado, dirigindo a sua própria casa de jogos enquanto busca meios de provar o roubo de suas criações pelo rival, o magnata do ramo da informática Ed Dillinger.
A visão do mundo cibernético no filme certamente influenciou e ouso dizer, até definiu estereótipos a serem usados em jogos que seguiriam o seu lançamento; o equilíbrio da narrativa entre cenas explicativas, contemplativas e de ação, lembra traços dos jogos de plataforma da era 8 bits, games interativos em CD-ROM, como Dragons Lair e RPGs “primitivos”, como Out of this World. É o bem contra o mal, azul contra vermelho, desafios que aumentam gradativamente o seu nível de dificuldade e o encerramento apoteótico que culmina no sucesso de um final feliz.
Os efeitos especiais do filme mereceriam um artigo só pra si – cenas colorizadas a mão e imagens renderizadas digitalmente, tudo inserido quadro a quadro na película do filme são apenas o ponto inicial da conversa. Hoje em dia são toscos, mas foram tão impressionantes que a Academia não permitiu a nomeação de Tron ao Oscar por eles: computadores eram considerados um meio “ilegal” para a sua realização. Quem diria que alguns anos depois todos nós teríamos coisa até melhor em nossos N64 e Playstations, não?
Tron – Uma Odisseia Eletrônica é hoje um filme bobo, mas ao se falar que ele foi um fracasso retumbante de bilheteria – não arrecadou sequer para pagar seu custo de produção – não pense que essa foi a causa.
Um dos fatores do fracasso foi o fato de, no mesmo ano, um outro Steven, o Spielberg, ter colocado um ET querendo telefonar pra casa nas telonas, uma competição nada menos que injusta. O outro é o roteiro; a premissa era assustadora e confusa, e personagens falando de softwares, dados, bits, hackers e programação num tempo em que computadores domésticos inexistiam deixou muita gente boiando na história. No entanto, justamente os jogos para arcades, Atari e ColecoVision inspirados no filme foram um sucesso comercial muito maior – fácil de explicar dada a linguagem utilizada na história.
Vale a pena assistir pela curiosidade e referência, quer você nunca tenha ouvido falar ou caso queira entender melhor a sequência realizada em 2010 – assunto para um próximo post!



3 comentários
Fellipe Mariano disse:
ago 28, 2011
Tron é definitivamente um filme muito a frente de seu tempo… e como qualquer filme desse tipo, não recebeu a atenção e fama merecida.
É um filme bacana de se assistir, pessoalmente gosto bastante de assistí-lo ouvindo músicas (alguém falou Kraftwerk), acho que tem muito a ver com a cultura digital que iria se formar alguns anos mais tarde…
Sovereign disse:
ago 29, 2011
Fiz curso de computacao no inicio da decada de 90, sei bem o que era um 386, 486. Nem pentium I existia e o 1o win era prototipo ainda. Pra epoca(1982)Tron foi um filmao, pelo menos pra quem gostava de ficcao e tecnologia. Um filme muito a frente do seu tempo. Como a serie classica de star trek, dos anos 60.
Daniel Gomes disse:
ago 30, 2011
O que eu posso dizer do Tron, para epoca em que eu realmente assisti ele, fiquei embasbacado e a minha cabeça explodiu com os light cicles, mas é o típico filme que fica embarreirado com a regra dos quinze anos e que, depois, não se tem menor possibilidade de se assistir.
Depois que eu fui saber que Bruce Boxleitner (Capitão Sheridan, da série Babylon 5), minha cabeça explodiu de novo e tive de assistir mais três vezes o filme para me preparar para o Tron Legacy – que vai ter uma continuação para 2013 -, no qual o filme é bom, mas poderia ter sido muito superior em vários momentos.
Tron é tão cult quando Blade Runner, um dos maiores clássicos do Scifi Noir já feitos.