Recriar grandes clássicos sempre foi uma tarefa complicada e, muitas vezes, polêmica. Seja no cinema, nos videogames ou em desenhos animados, é comum que recriações sejam encaradas com muito ceticismo por conta das novidades e alterações que trazem. No caso deste artigo, eu estava incluso no grupo de céticos.

A nova versão dos Thundercats começou a ser divulgada no início deste ano, e o pensamento foi instantâneo: Lion-O viraria emo, Panthro seria apenas um brutamontes sem cérebro, e tudo estaria estragado. É o que se pode pensar de início a partir dos novos traços do desenho, simplificados e com algumas alterações marcantes no visual dos personagens.

Mas um pouco de cautela e ímpeto para assistir ao primeiro episódio da nova série, lançada em julho nos EUA, foram suficientes para que a má impressão começasse a mudar. O desenho apresenta episódios sequenciais que contam a história dos felinos desde os primórdios, introduzindo um plano de fundo de mitos e lendas ao enredo. Aos poucos, sabemos quem é cada um dos personagens, que ganham características bem demarcadas e separam-se de meros “iguais” num bando. A partir dessas características, é como se os novos visuais se justificassem, pois acabam fazendo sentido.

A animação segue o estilo de produtos americanos recentes, sem excesso de detalhes nos traços, mas com alguns efeitos tridimensionais interessantes. O ritmo dos episódios também segue um padrão bem ocidental, com rápido seguimento do enredo e de resoluções na trama. Neste sentido, quem está acostumado com algo como Dragon Ball Z provavelmente irá achar que algumas coisas se resolvem “rápido demais”, sejam batalhas difíceis ou descobertas de mistérios. Mas esta é uma caracterísrica que vai de defeito a qualidade, a depender do estilo do espectador.

Apesar de, para muitos, o visual parecer mais “infantil” que o original, em diversos momentos o novo desenho leva a franquia bem mais a sério, trazendo situações quase sombrias, temas como a relação entre raças e duelos de oposição (como “magia vs. tecnologia”) que dão uma pitada de charme à trama. Há de se notar que, para veteranos em animações, a previsibilidade está lá em muitos pontos, mas talvez seja difícil fugir dela.

Até o momento, apenas seis episódios foram lançados, todos em inglês, no Cartoon Network gringo* – eles saem toda sexta-feira. Como a história está só no começo, certamente ainda há muitas novidades dignas de nota pela frente, então não é apropriado fazer análises mais profundas. Mas o que os novos Thundercats mostraram até agora é bastante animador, e deve ser encarado como uma direção alternativa (e competente) ao desenho original. Ah, pra finalizar, outra boa notícia: Snarf não fala.

* O SBT adquiriu os direitos de transmissão da série, que será exibida no canal a partir de 2012.