ESPECIAL: No dia 30/09/2011, será desativada a ZeeboNet, rede online do Zeebo, marcando definitivamente a aposentadoria do console.

No ano passado, em meio a lançamentos questionáveis na ZeeboNet, era comum ler comentários do tipo: “cadê os hackers pra colocarem algum jogo decente nesse videogame?”. Como um console sem popularidade mundial, o Zeebo acabou, por um tempo considerável, isento de qualquer iniciativa nesse sentido. Até que um cara de codinome Triple Oxygen publicou, em seu site pessoal, algumas fotos e comentários sobre um Zeebo que havia dissecado. O que poderia ser apenas fruto de curiosidade passageira desenvolveu-se, e novas descobertas sobre as entranhas do hardware foram sendo divulgadas aos poucos, trazendo notoriedade instantânea para os trabalhos do “O3″.

Foi daí que, ainda no ano passado, nasceu o Open Zeebo. Se você ainda não conhece, trata-se de um projeto para transformar o console em uma plataforma aberta, capaz de rodar aplicações caseiras. Em outras palavras: hackear o Zeebo, assim como já ocorreu com outras plataformas. Nesse meio tempo, Triple Oxygen já alcançou feitos interessantes: com uso de um equipamento JTAG, conseguiu acesso ao sistema interno do Zeebo, que permite a execução de uma série de funções antes inacessíveis, como fazer backup de jogos e saves no computador, restaurar o sistema do aparelho caso este dê defeito, entre outros.

Ao conhecer o Open Zeebo, a pergunta logo feita por muitos é: então é possível a pirataria? Tecnicamente, não é difícil para alguém entendido concluir que, de algum modo, sim. Mas Oxygen alerta em seus FAQs e postagens que este não é seu objetivo, e que não trabalha diretamente neste sentido. Para saber como andam as atividades do projeto, batemos um papo com o cara, que nos conta sobre feitos já conseguidos e possibilidades  do futuro. Confira abaixo:

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Fission Mailed: Você joga ou já jogou algo no Zeebo, ou se interessa apenas pelos hacks?
Triple Oxygen: Jogava Double Dragon e Zenonia. Mas não foi muito, pois a maior parte do tempo me dedicava às pesquisas/hacks. Geralmente me divirto mais fuçando no aparelho do que usando-o normalmente. :-)

FM: Ainda está motivado a trabalhar com o aparelho, com o fim dos holofotes sobre ele?
O3: Digamos que, em relação ao “abandono” do sistema pela Zeebo, este não afetou diretamente a motivação. Na verdade, é outra razão para continuar. Porém, por causa deste evento, vejo que a própria base de usuários perdeu as (poucas?) esperanças que restavam. Já que o Open Zeebo é dedicado justamente à comunidade, isso causa certo desânimo.

FM: Como está a comunidade em torno do projeto atualmente?
O3: Muitos devem estar achando que os progressos estão lentos. Bem, assim como os outros projetos em que trabalho, faço por hobby, ou seja, quando sobra tempo e ânimo. Confesso que, no caso do Zeebo, só continuei devido aos incentivos da comunidade.

Muitos querem resultados específicos, desde emuladores a jogos da plataforma para instalarem em seus aparelhos, sem perceberem que não existem e devem ser criados, ou é ilegal. Outros, só acreditariam no projeto no dia em que aparecesse um método mágico e simples para “destravar” o Zeebo, como um arquivo em um pen-drive. As coisas não são simples assim. Poucos realmente estão dispostos a estudar e gastar tempo no console. Claro, cada um tem suas preocupações, mas a falta de pessoas afeta o andamento do projeto. Por outro lado, há aqueles que agradeço por terem apoiado e contribuído de uma forma ou de outra. Toda e qualquer contribuição sempre é bem-vinda. You know who you are. :-)

FM: Tem ideia de quantas pessoas já têm Zeebos modificados? O que elas podem fazer com isso atualmente?
O3: Poucas. Toda a ideia de conseguir um equipamento (dongle JTAG), abrir o console e soldar terminais é um tanto distante e difícil de ser executada, afastando quem se interessa por mexer no console. O processo é muito simples, na verdade, mas para quem não tem experiência, pode parecer um pouco assustador.

[Os que têm Zeebos modificados] Podem ter acesso ao sistema de arquivos do console (para backup de jogos e saves), alterar o sistema para permitir permanentemente homebrews e modificações nos jogos (mods), recuperar de bricks e, eventualmente, substituir os bootloaders existentes para executar um kernel do Linux/Android.

Em 2010, Triple Oxygen chamou a atenção da comunidade ao identificar cada componente do Zeebo

Em 2010, Triple Oxygen chamou a atenção da comunidade ao identificar cada componente do Zeebo

FM: O que está buscando/descobrindo de mais significativo neste momento?
O3: Por ora, não estou trabalhando com nada, devido à falta de tempo e outras “complicações”. Nem mesmo em outros projetos, como o Cybergame. Entretanto, assim que possível, vou retomar as pesquisas para encontrar algum meio de ativar a porta de diagnóstico sem JTAG [Nota: isso equivale a ter acesso ao sistema interno do Zeebo]. É algo que estamos pesquisando há certo tempo, mas sem resultados positivos. Já se foram quase todas as possibilidades, mas ainda existem alguns truques a serem testados. Partindo destes resultados e considerando que a solução existente (i.e. JTAG) mostrou-se um tanto complicada, vou avaliar o futuro do projeto.

FM: O fim oficial do Zeebo irá ajudar ou atrapalhar o avanço do Open Zeebo?
O3: De certo modo, ambas. Já que não haverá produção de conteúdo novo e com o fim do acesso à rede/Internet, talvez os usuários sintam-se mais motivados em buscar alternativas, e sem o receio de “perder” algo com a [fabricante] Zeebo BR (a garantia continua, aparentemente). Ao mesmo tempo, perderíamos possíveis atualizações ou conteúdo que poderiam expor novos meios de conseguir acesso ao console. Perderíamos também, no caso da implementação de servidores alternativos, mais exemplares da comunicação jogo-servidor para as pesquisas.

FM: Com o desligamento da ZeeboNet, alguns serviços (como rankings de jogos) não funcionarão mais. É possível trazê-los à ativa em servidores não-oficiais?
O3: Falando em possibilidades, sim. Precisaríamos documentar a comunicação entre os jogos e os servidores e, então, implementar um “emulador”. Temos os logs para fazê-lo, mas como não seria possível os usuários aproveitarem por agora (pelos motivos explanados anteriormente), estes planos foram pausados. Há um outro possível meio de tornar essa ideia uma realidade de maneira mais fácil (ainda sendo pesquisada), o qual tentarei finalizar e falar sobre em breve.

FM: Linux ou Android: um sonho distante, ou algo alcançável de fato?
O3: Assim como nos servidores alternativos, é alcançável. Já existe um kernel rodando no dispositivo com shell via porta serial. Existem algumas dificuldades que ainda devem ser solucionadas, por exemplo, o IPC com o rádio e o driver para a saída de TV. Mas todos podem ser resolvidos. O que afasta este (e outros) plano da realidade é a dificuldade abordada antes: somente via JTAG.