Passava das cinco e meia quando os portões interiores do Centro de Convenções Sulamérica se abriram para o Video Games Live 2011, que neste ano aconteceu no mesmo local que a Brasil Game Show. O público carioca, que teve o concerto pelo sexto ano consecutivo (algo que não acontece em outros lugares do mundo), ignorou o atraso e recebeu Tommy Tallarico e seu espetáculo de braços abertos, em uma enérgica abertura ao som inconfundível dos riffs de Street Fighter 2. E se no ano passado o pessoal aclamava histéricos gritos de ‘Blanka’ a cada vez que o personagem aparecia na tela, dessa vez Tommy fez um vídeo especial para o país mostrando o personagem arrebentando todo mundo. A galera parecia ainda fora do clima e não aclamou tanto quanto ele provavelmente esperava, mas foi uma abertura bem acertada.

A Blizzard, parceira fiel do show, teve um grande espaço dedicado às canções da empresa, principalmente no que diz respeito ao MMO World of Warcraft. As aberturas do Classic e das expansões Burning Crusade e Cataclysm passaram no telão com vozes localizadas (o game será lançado totalmente em português em breve), sendo que essas duas últimas em versões ao vivo, conduzidas pelo diretor de áudio da Blizzard Russell Brower. Simpático, riu quando gritei “For the Horde!” em sua entrada no palco e atendeu aos fãs com paciência no final do concerto, tirando fotos, sorrindo e agradecendo o carinho, ainda no local. A expansão Wrath of the Lich King não teve sua abertura no telão, mas sim uma das canções preferidas de Brower, que mostra o surgimento da Banshee Queen em vídeo. O público clamou por Diablo, mas quem recebeu devida atenção foi Starcraft II, também com uma de suas músicas fielmente reproduzidas.

Outro convidado a marcar presença foi Wataru Hokoyama, maestro da apresentação. Além de conduzir quase todas as canções, tocou também seus temas para Afrika e para Resident Evil 5. Carismático, estava claramente se divertindo com a reação do público, participante ativo. Tallarico até brincou antes do espetáculo começar, dizendo que havia deixado as expectativas lá em cima por falar tão bem do público carioca; público este que não decepcionou e deu para ver o sorriso estampado no rosto do japa em diversos momentos. Flute Link também esteve presente, fazendo uma épica apresentação com diversos temas de The Legend of Zelda, em comemoração aos 25 anos da série, vestida a caráter, como tradicionalmente faz em suas participações. Porém, dessa vez ela também surpreendeu e esteve no palco vestida como Mario e tocou os temas de todos os jogos principais, desde o primeiro até New Super Mario Bros. Wii.

O público foi à loucura quando Tallarico anunciou outra música mundialmente inédita, pedida insistentemente nas outras cinco edições, e que iria tocar porque não agüentava mais ouvir tantos pedidos para esse jogo – além de ganhar uns pontos com a namorada. Foi quando começou a tocar o tema de Pokémon e as pessoas gritaram, cantaram e choraram. Muito. Mesmo. O discurso da Equipe Rocket foi em inglês e não deu para as pessoas acompanharem o quase jargão, mas certamente Tallarico trabalhará nisso nos próximos anos, assim como fez com o vídeo do Blanka. Considerado pela maioria como um dos momentos mais épicos de todas as edições, quase ofuscou as clássicas passagens de Chrono Trigger / Chrono Cross, Metal Gear Solid 3: Snake Eater (dessa vez com voz) e a enérgica apresentação de Castlevania.

Como não poderia ser diferente, One Winged Angel fez coro com a galera, ainda mais quando Tallarico desceu do palco e tocou no meio da galera, mas foi a única participação da franquia Final Fantasy este ano – em 2010, uma compilação com as músicas mais famosas da série me levou às lágrimas através de um solo do pianista Martin Leung, que este ano esteve presente apenas em um estande da empresa Seven Computação Gráfica, mas não no concerto do Video Games Live. Foram sentidas algumas outras ausências, como as trilhas de Sonic, God of War e Uncharted, talvez pela duração mais curta do espetáculo, talvez pela opção de proporcionar uma experiência diferente, mas o público não pareceu se importar muito, principalmente pela preocupação de Tallarico de sempre fazer uma apresentação única a cada vez.

Agora, a maior ausência foi o vídeo com diversas imagens de jogos, sequenciais, de montagem frenética, para no final dizer, em letras de Super Mario World: “Thank you for so many memories”; porque o que fica dos games é isso mesmo, as memórias. O mesmo agora pode ser dito do show inesquecível que é o Video Games Live. E o que dizer da transmissão ao vivo, pelo Skype, com Ralph H. Baer, ninguém menos que o criador dos video games? O coração chegou a bater mais forte. Para fechar, nada melhor do que Still Alive, de Portal.

Que venha a edição de 2012!