Título Original: Super Mario Bros. – The Movie
Diretor: Annabel Jankel, Rocky Morton, Rolland Joffé e Dean Semler
Ano de Lançamento: 1993
Estúdio Responsável: Dimension Films
Elenco: Bob Hoskins – Mario
John Leguizamo – Luigi
Dennis Hopper – Koopa
Samantha Mathis – Daisy
Sinopse: Há muito tempo a Terra era dominada pelos dinossauros e ninguém os incomodava, pois não havia gente. A vida era boa no lugar que, após 65 milhões de anos, passaria a se chamar Brooklyn. Então algo inesperado aconteceu, pois um meteoro gigante atingiu a Terra e os dinossauros foram exterminados. Entretanto, o impacto criou uma dimensão paralela, onde alguns dinossauros sobreviveram e se tornaram uma espécie inteligente e agressiva, como nós.
Vinte anos antes da história começar de fato, à porta de um orfanato no Brooklyn é deixado um ovo, o qual é recolhido pelas freiras e de onde nasce uma criança. No Brooklyn dos dias atuais, os encanadores Mario Mario (Bob Hoskins) e Luigi Mario (John Leguizamo) se vêem numa aventura fantástica para salvar a Princesa Daisy (Samantha Mathis) em um escondido mundo, Dinohattan, onde os habitantes evoluíram dos dinossauros. A dupla enfrenta desafios mortais do Rei Koopa (Dennis Hopper), um lagarto diabólico, e batalham contra répteis enormes para impedir um terrível plano, que busca invadir nosso mundo.
Com a proximidade do Dia das Crianças é inevitável para esta que vos digita lembrar-se do tempo em que este feriado lhe valia alguma coisa além de um dia de folga; eram os anos 90 e o mundo era mais simples, se resumindo à escola e as recompensas pelo esforço aplicado à ela.
Uma das minhas recompensas frequentes eram a locação de filmes em VHS – embora eu não tenha certeza se de fato se tratava de uma recompensa, ou uma ferramenta da senhora minha mãe pra manter a mim e ao meu irmão dentro de casa. Alugávamos filmes com tanta frequência que volta e meia éramos os ganhadores de certas promoções em nossa videolocadora, cujo dono conhecia nossos gostos melhor até do que Papai Noel.
Num belo entardecer de sexta-feira, depois do término do período escolar, meu irmão e eu novamente nos dirigimos até o estabelecimento, onde o dono nos recebeu com um sorriso no rosto e o dedo apontado para um cartaz na parede: “Olha o filme que saiu!”, disse ele, e a isca estava jogada.
Como se o título em letras garrafais não fosse o bastante, ainda havia a imagem de Bob Hoskins em puro bigodão, macacão de encanador e quepe vermelho para confirmar. Estava ao lado de um sujeito de verde, eu nem sabia quem era, mas se vestia verde, tinha que ser o Luigi.
Em nossa inocência infantil, meu irmão e eu levamos o filme para casa, encantados. Um filme sobre um video-game! Quem diria!
A TV foi ligada, e assim foi com o video-cassete; bumbuns foram sentados no tapete da sala e o filme começou a rodar. WEEEEEEE! Introdução com desenho animado! “Será que é um filme em desenho animado?”, me lembro de ter perguntado, parcialmente decepcionada, mas o pôster do filme não podia mentir.
E não mentiu. Às vezes eu gostaria que tivesse mentido…
Dizem que criança não é dotada de muito critério – e como na época as minhas cantoras favoritas eram a Xuxa e a Angélica, até não duvido -, mas mesmo com muito pouco ou nenhum dele, eu sabia que estava diante de uma falha homérica, como concluí. E eu ainda nem conhecia o termo.
Fato é que, quem quer que tenha decidido transferir para a grande tela as aventuras do encanador do Brooklyn, pesou as consequências com tanto critério quanto uma criança de 12 anos de idade [sim, era a minha idade quando vi o filme]. Como se transfere um mundo tão fantasioso, complexo e ao mesmo tempo tão simples, para um mundo de carne e osso onde é necessária uma história concreta, com início, meio e fim?
A resposta encontrada foi, na minha humilde opinião, adequada, mas pouco própria ao público que se destinou – um universo paralelo com características cyberpunk, cujos humanóides locais evoluíram de dinossauros e não primatas. Só faltou lembrar que cyberpunk e filme para crianças são uma incoerência: sério, quem ai não se assustou com a metamorfose dos goombas, ou com o [nojinho]Rei Toadstool[/nojinho]? E antes disso, temos a cena da princesa Daisy nascendo de um ovo. E por falar em nojinho, e a cena do churrasquinho de lagartixa, hum?
Vários elementos dos jogos foram citados, mas acabaram tão distorcidos pela necessidade de se adequarem ao mundo real que reconhecê-los se torna quase um exercício psicotécnico pra mim, e é exatamente nisso que o filme peca: não se resume apenas em transformar um filme que deveria ser infantil em um quase show de horrores, mas também em tentar converter um jogo de plataforma carismático, mas sem muita história ou embasamento em algo real, na crença de que a popularidade dos irmãos Mario bastaria para que a franquia fizesse sucesso nos cinemas.
Hoje, sabemos que não bastou: Super Mario Bros. foi um fracasso de bilheteria, tendo arrecadado menos de 50% do seu custo de produção, e os atores que o protagonizaram se arrependem de terem se envolvido até os dias de hoje.
Quando o filme acabou, meu irmão e eu nos entreolhamos, incertos sobre quais opiniões esboçar.
Quando o alvorecer de um novo dia chegou, devolvemos o filme na locadora, e o trocamos por um antigo desenho animado dos encanadores, onde seu mundo funcionou muito melhor. Restava a esperança de que, se outras adaptações de jogos de video-game fossem realizadas, que elas se saíssem melhor do que Super Mario Bros.



1 comentário
Daniel disse:
out 28, 2011
Realmente o filme tem N falhas a começar pela sua concepção. Mas logo que saiu na Seção da Tarde não me apeguei a esses detalhes, e agora é um dos meus filmes de infância preferido junto com “Goonies” e “Curtindo a Vida Adoidado”, e o mérito vai para dois personagens: Mario do Bob Hopkins e Koopa de Denis Hoper. Talvez isso vai da personalidade de cada um, mas adorava a parte em que o Mario entrava na encanação congelada junto com as garotas fugindo dos goombas e adorei as botas de super salto.