Quando joguei Halo: Combat Evolved pela primeira vez, lá pelos idos de 2002, lembro-me de ter ficado impressionado. Na época, o jogo contava com o que havia de mais avançado em termos de gráficos e Inteligência Artificial mas cativava mesmo por causa de seu clima e enredo que conquistaram uma legião de fãs durante a ultima década. Halo: Combat Evolved Anniversary é uma edição comemorativa dos 10 anos da consagrada série de jogos e, como tal, traz a campanha do primeiro jogo totalmente refeita com gráficos atuais porém, mantendo a mesma jogabilidade original.

Relembrando o início

Halo: Combat Evolved conta a história de John-117, também conhecido como Master Chief, um super-soldado que se torna a última esperança da humanidade em um guerra travada contra a aliança alienigena Covenant (na tradução oficial “A irmandade” ou “O Pacto”). Em estado de animação suspensa abordo da Nave “Pillar of Autumn”, Master Chief é colocado de volta a ativa com a missão de proteger Cortana, uma inteligência artificial que possui dados vitais sobre a humanidade e que, caso caia nas mãos dos Covenants, pode se tornar a ruína da raça humana.

Apesar da história parecer cliché (e em alguns pontos ela realmente é) o jogo a conta com maestria, aprofundando gradativamente o jogador em seu universo ficcional sem exagerar nos detalhes. O brilho da narrativa é justamente o fato dela ser contada através de ações do jogador (semelhante ao primeiro Half-Life) e introduzindo diálogos e cutscenes apenas em momentos chaves, tornando a experiência mais dinâmica. Anniversary ainda amplia o universo do jogo através dos terminals – locais das fases onde é possível desbloquear vídeos inéditos sobre a história – algo que não estava presente no jogo original.

Assumindo controle

Possivelmente a melhor característica do Halo: Combat Evolved e que foi preservada em Anniversary são os controles: simples, funcionais e eficientes. O jogo traz de volta a jogabilidade clássica sem tirar nem por (com a única excessão do botão “back” que alterna entre os gráficos clássicos e os refeitos) e é impressionante descobrir como ela ainda se mostra muito atual e conveniente. Como um adicional ao controles, Anniversary possui a opção de se realizar algumas ações através de comandos de voz do Kinect. Ações como recarregar e ativar a lanterna podem ser facilmente executadas com o simples falar de “grenade” e “flashlight” e apesar da ressalva dos jogadores quanto a isso, os comandos de voz funcionam como o esperado.

Falando em comando de voz, eis mais uma das novidade do remake: uma biblioteca (library) de objetos. Durante o jogo, quando falamos a palavra “analyze” no Kinect, ele ativa a opção de análise de ambientes onde objetos marcados de vermelho podem ser análisados com o comando de voz “scan” e podem ser consultados posteriormente na “library” no menu inicial. As informações da “library” incluem dados básicos como peso, raça, origem e um pequeno histórico do objeto, pessoa, equipamento ou covenant analisado. Além disso, para cada um dele é possível manipular um modelo em 3D, seja através do controle tradicional ou dos comandos de gestos do Kinect.

Lock ‘n Loaded

Os anos 2000 eram uma época em que os FPS eram mais do que armas grandes e headshots, em Halo mais importante do que atirar como um louco era saber como atirar. Cada inimigo possuia suas próprias características e requeria uma estratégia diferenciada. Da mesma forma, cada arma era única em suas funções e modo de usar e era mais adequada para cada tipo de inimigo. Essa mecânica e característica foi preservada em todos os jogos seguintes da série e em Anniversary não foi diferente. Munição é outra preocupação constante já que as armas dos Covenants não podem ser recarregadas (apenas trocadas por outras) e as armas humanas gastam bastante munição para derrubar os inimigos. Saber escolher entre elas é o primeiro passo para o sucesso em combate.  E para tornar as coisas ainda melhores, os  inimigos permaneceram com a mesma - excelente – Inteligência Artificial do jogo original, então espere combates difíceis mesmo na dificuldade padrão do jogo. No quesito combate, basicamente a única novidade e mudança é a inclusão de um modo cooperativo, seja em multiplayer local ou pela Xbox Live. Esse é um aspecto que pode não agradar a todos pois modifica de forma considerável a experiência original mas, é algo opcional. Já na campanha, além dos mencionados “terminais” também temos a adição das caveiras, itens coletáveis que, quando ativos, acrescentam modificações na campanha como: menor quantidade de munição encontrada normalmente, jogar sem o HUD, escudo que não regenera e etc.

Espelho, espelho meu…

Acima de tudo que já foi mencionado, possivelmente a maior e melhor característica do jogo foram seus gráficos refeitos. Aqui não estamos falando de uma roupagem HD ou uma adaptação com texturas em alta definição, Anniversary traz cada detalhe possível do jogo totalmente remodelado seguindo os padrões de jogos dessa geração. Mais do que isso, Anniversary é capaz ainda de agradar ao mais chato e fresco dos fãs da série e permite que, com o simples apertar de um botão, o jogo desligue o motor gráfico atual e execute o jogo utilizando o antigo, junto com todos os assets originais tais como veículos, cenários, armas e personagens. Brincar de ativar e desativar o modo gráfico clássico é algo que me vi fazendo durante todo o decorrer do jogo. Fazer isso também evidencia que não se trata de um simples remake mas sim de um trabalho cuidadoso de tentar unir o velho ao novo sem ofender a nenhum dos dois – algo que demostra todo o respeito dos desenvolvedores com o jogo original. Completando o pacote temos também toda a trilha sonora sendo reexecutada (e não simplesmente remasterizada) pela Skywalker Orchestra em um trabalho cuidadoso de reinterpretação da trilha clássica do jogo. Novamente, para quem preferir, o jogo dá a opção de alternar a trilha original com a regravada através do menu de opções.

Pegando emprestado de Reach

Talvez o único contra que eu realmente encontrei no jogo foi o multiplayer online. Não que ele seja ruim, pelo contrário trata-se do aclamado multiplayer de Halo: Reach com a adição dos mapas clássicos do Halo: Combat Evolved refeitos para os padrões atuais. O problema é justamente esse, após uma campanha totalmente refeita com o enorme cuidado de se preservar cada elemento do jogo original, temos um multiplayer que não tem conexão alguma com o jogo original e ainda se utiliza de mecânicas e recursos do jogo mais recente da série. Eu ia dizer que a sensação era a de estar jogando outro jogo, mas descobri que não era somente sensação, eu realmente estava jogando Reach dentro de Anniversary. Pra completar, os achievements (conquistas em PT-BR) do modo multiplayer são desbloqueados dentro da listagem de conquistas de Reach. Basicamente o que o jogo faz é vir com o multiplayer de Reach incluso no pacote, com a desvantagem de só podermos jogar os remakes dos mapas clássicos.

Concluindo

Aqui no Brasil uma grande parte de jogadores não tiveram o primeiro contato com a série através do primeiro Halo. O primeiro Xbox não teve grande aceitação em terras brasileiras (onde o Playstation 2 dominava as vendas) e a versão para PC de Halo, apesar de ter feito sucesso no Brasil, não foi adotada massivamente como outros shooters da mesma época como Counter-Strike. Para essas pessoas que não conheciam a aventura original, “Halo Anniversary” é a melhor maneira de ter esse “primeiro” contato. Para aqueles que já conheciam o jogo, ele oferece uma experiência interessante que combina a mesma jogabilidade e clima originais e implementa novos elementos e gráficos dando um novo fôlego a um jogo que possui 10 anos de vida.

Images e vídeo: Divulgação Microsoft.